domingo, 16 de outubro de 2011

TRAUMA DE INFÂNCIA

O conteúdo desta postagem foi retirado e adaptado do 3º volume dos 3 volumes dos livros "Mente Criminosa"  As ilustrações também foram retiradas do livro.

Aproveito para agradecer a divulgação e os comentários dos leitores.



Psicólogos contemporâneos concordam que o potencial de violência criminal é engendrado pelo trauma infantil dentro da família. Eventualmente, a criança aprende que uma resposta violenta ao abuso gera respeito e medo nos outros, e desta forma desenvolve a crença de que a violência é a melhor forma de lidar com as pessoas.

A mais perturbadora das recentes tendências da criminalidade é o aumento da incidência de homicídios em série, especialmente nos Estados Unidos. Diversos investigadores norte-americanos insistem que a causa pode ser encontrada, como a maioria das teorias psicológicas descritas nos posts anteriores sugerem, na negligência ou ao abuso grave durante a infância. Dizem que o feto no útero pode ser afetado pelo alcoolismo ou uso de drogas da mãe, ou até pela tensão psicológica de uma gravidez indesejada ou infeliz.

Um efeito dos traumas na primeira infância é o "transtorno dissociativo de identidade", descrito como uma "técnica criativa de sobrevivência", que uma criança usa para escapar do abuso emocional, físico ou sexual. "Durante a dissociação", um psicólogo escreveu que "a pessoa não é capaz de associar determinadas informações como o resto das pessoas, permitindo uma fuga mental temporária do medo e da dor da experiência. "Esse processo pode, às vezes, resultar em uma lacuna de memória relativa ao trauma, o que pode afetar o sentimento de identidade e história pessoal da pessoa e até resultar em uma fragmentação do eu". Este efeito, que claramente lembra a teoria de crise de identidade de Erikson, ( vide post: http://pasdemasque.blogspot.com/2011/10/teorias-modernas-da-criminalidade.html ) pode continuar na vida adulta. Aparece ilustrado na sugestão de Paul Britton sobre os interrogatórios de Paul Bostock.

O argumento é convincente, embora seja difícil aceitar que o nível de abuso infantil nos Estados Unidos seja tão elevado assim, comparado com outros países, já que 75% dos serial killers do mundo inteiro são norte-americanos. Na verdade, há indícios que afirmam o contrário. Por exemplo, no início do século XX, Carl Panzram, um criminoso patológico, escrevendo de uma prisão norte-americana em 1930, disse que tinha assassinado 21 pessoas e cometido milhares de assaltos, roubos, fraudes e armações.
Disse ainda: "Toda a minha família era como o resto dos seres humanos. Eram honestos e pessoas que gostavam de trabalhar. Todos menos eu. Eu fui um animal desde que nasci. Quando eu era muito jovem, 5 ou 6 anos de idade, era um ladrão, um mentiroso e uma pessoa desprezível. Conforme fui ficando mais velho, mais terrível fui ficando".
Vide post : http://pasdemasque.blogspot.com/2009/03/carl-panzram.html para saber mais sobre Panzram.



No entanto, na ausência de outras teorias convincentes, os números devem falar por si.
Lonnie Atenas, criminalista norte-americano, realizou um estudo extenso sobre criminosos violentos na prisão e disse ter identificado um padrão de desenvolvimento social comum a todos, um processo em quatro fases que geralmente ocorre no seio da família e que chamou de "violenciação". Muito do seu trabalho foi baseado nas experiências de sua própria infância. As quatro etapas são:

1. Brutalização: A criança é obrigada a se submeter a uma figura de autoridade agressiva que usa ou ameaça usar a violência. Observa a obediência gerada pela violência e aprende da figura de autoridade que a violência pode ser usada para resolver disputas.

2.Beligerância: A criança está determinada a evitar a subjugação violenta e começa a lançar mão da violência também.

3. Comportamento violento: Sua resposta violenta perante a provocação é bem-sucedida e ganha respeito e medo dos outros.

4. Virulência: Banhada no sucesso, a pessoa decide que a violência é a melhor maneira de lidar com as pessoas e começa a se relacionar com outros que pensam o mesmo.

A POSSIBILIDADE DE TRATAMENTO

Considerando o numero de linhas de pesquisa descritas acima e nos posts anteriores, uma pergunta aparece naturalmente: seria possível tratar criminosos condenados - particularmente os assassinos e estupradores - de forma que se possa garantir que se forem soltos não iriam atacar novamente? Ou, igualmente importante, o potencial de criminalidade poderia ser detectado cedo para poder tomar medidas que possam evitar seu desenvolvimento?
Infelizmente, os métodos atuais de tratamento psicológicos de delinquentes nas instituições não parecem ser eficazes. Já houve muitos casos em que criminosos violentos -  Edmund Kemper e Henry Lee Lucas são excelentes exemplos - foram declarados "curados", mas, depois de soltos, reiniciaram e até aceleraram o ritmo dos crimes.

Desde dezembro de 1985 uma unidade especial da prisão de Parkhust na Grã-Bretanha vem tratando criminosos violentos. O psiquiatra da unidade descreve o seu trabalho como "desenredar os efeitos de longo prazo do abuso infantil". Ele é contra o uso de drogas tranquilizantes que, segundo a pesquisa médica, podem provocar comportamentos violentos.

A ideia de que os níveis de testosterona elevados eram a causa principal nos casos de estupro e em outros delitos sexuais levou muitos países europeus entre 1920 e 1930 a legalizar a castração dos criminosos sexuais ( acho super justo isso, deveria ser legalizado no Brasil também ) Embora tais operações, não é possível determinar que tenham de fato reduzido ou amenizado a agressão sexual.
Nos últimos 30 anos, algumas drogas específicas que reduzem os efeitos da testosterona foram oferecidas aos delinquentes como uma alternativa à castração. Em alguns casos resultaram ser eficazes, mas deviam ser administradas em doses elevadas e não pareciam oferecer uma cura definitiva.
Sociólogos dizem que o desenvolvimento precoce de tendências psicopáticas nas crianças pode ser detectado e notificado, e que eles poderiam obter autorização oficial para aplicar tratamentos comportamentais. No entanto, isso exigiria um programa muito grande e extremamente dispendioso para o qual não existe financiamento nem justificativa para tal grau de interferência social. Parece, portanto, que não existe forma de detectar e inibir o desenvolvimento da personalidade criminosa, até que seja revelada na execução de um crime - eis onde entra o criador de perfis.


No próximo post falarei dos criadores de perfis. NEGOCIAÇÃO e INTERROGATÓRIO

                                       

5 comentários:

Larissa disse...

voce poderia dar a referencia bibliografica desse livro, o autor, pq ja procurei na net e não axei, tem varios com esse titulo "mente criminosa"

Anne disse...

o Autor é Brian Innes. ;)

Larissa disse...

Poxa Anne axei o livro e nooooosssa bem caro viu... :( axo que vo ficar so nas materias baseadas no livro mesmo rsrsrsr

Anne disse...

Acabo de comprar mais um volume do livro e vou postar assim q chegar. ;)

Macabéa disse...

Vi um livro na livraria ao lado do meu serviço, chamado: 501 crimes notórios, estou esperando meu niver chegar kkkkk ctz q alguém vai me dar ele, ai pensa no tanto de casos q vou ter pra postar aqui! abraço leitores