quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Ed Kemper




Ed Kemper
Tirado de http://oserialkiller.blogspot.com/2008/07/serial-killer-ed-kemper-historia.html

MATOU A FAMÍLA E ENGANOU A PSIQUIATRIA
EDMUND EMIL KEMPER III (nascido: 1948 - vivo, ainda), americano

ASSASSINATOS: 8

HISTÓRIA:

O Diabo começa a rondar Santa Cruz, California.
Na década de 60, a cidade de Santa Cruz, na Califórnia, Estados Unidos, apesar de turística era relativamente pacata. Mas o começo dos anos 70 veio para mudar as coisas por lá.


John Linley Frazier, um hippie, assassinou um médico, a família deste e a sua secretária – cinco pessoas no total, no final de 1970. A motivação?
Simbólica: protestar contra a onda de devastação ambiental promovida por empreendedores capitalistas.
Os hippies já não eram bem vistos nos EUA, depois do caso Charles Manson, no ano anterior (embora este negasse ser hippie). Frazier foi diagnosticado como portador de esquizofrenia paranóide.

Nos anos seguintes, uma série de outros assassinatos de autoria desconhecida chacoalharam a cidade.
A polícia chegou, enfim, a Herbert Mullin, um psicótico que havia parado seus medicamentos e escutava uma voz que o mandava matar. Acreditava que um terremoto enorme destruiria a região, a não ser que 30 pessoas concordassem em se sacrificar. Se não concordavam, ele mesmo as sacrificava. Também foi diagnosticado como esquizofrênico paranóide, e a polícia tranqüilizou a população. A paz iria voltar a reinar. Mas não foi isto o que aconteceu: coisas terríveis continuaram a ocorrer...


A infância de Ed Kemper:

Kemper nasceu no final do ano de 1948.
Era o 2o filho de 3 – uma irmã mais velha e uma mais nova.
Quando seus pais se separaram, tinha 9 anos. Ele era apegado ao pai e parece ter sofrido muito com o rompimento. Sua mãe, depois disso, o maltratava muito, segundo ele. Deixava-o sempre trancado no porão.
Ainda criança, Kemper já pensava em matar seus parentes, imaginava-se mutilando-os. Na prática, fazia isto com gatos.
Foi morar um período com o pai. Mas o pai tinha se casado novamente, teve outro filho e não lhe recebeu muito bem.
Pouco depois, o devolveu à mãe, mas esta queria casar-se novamente e Kemper atrapalharia. Resolveram mandá-lo para o rancho dos seus avós paternos. Mas estes também não lhe trataram tão bem quanto ele gostaria.


Primeiros assassinatos de Kemper: os próprios avós

O rifle havia sido dado a ele de presente justamente por este avô, no Natal anterior.
Kemper levou os corpos para a garagem. Sem saber o que fazer, ligou para a mãe e falou o que havia acontecido. Ela o aconselhou a chamar a polícia. Ela já havia dito ao pai de Kemper que não se surpreendesse se um dia ele fizesse isso.
Kemper chamou mesmo a polícia. Segundo os policiais, ele estava os esperando calmamente. Depois, teria afirmado que atirou na avó para ver como se sentiria. No avô, para evitar que ele visse o que tinha acontecido.


Kemper 1 x 0 Psiquiatria

Kemper foi submetido à avaliação psiquiátrica.
Duas observações importantes advieram daí: um diagnóstico de esquizofrenia paranóide e a conclusão de que tinha um QI quase de gênio. Ficou internado no “Atascadero State Hospital for the Criminally Insane” (o mesmo pelo qual passou - em 62 como colaborador, e em 74-75 internado-preso - Arthur Leigh Allen, suspeito número um de ser o "Assassino do Zodíaco").
O psiquiatra que o acompanhou mais de perto foi Donald Lunge. Conta-se que lá Kemper memorizou as respostas corretas de inúmeros testes psicológicos, conseguindo, assim, sua libertação, aos 21 anos.
Saiu com recomendações de não voltar ao convívio da mãe, a sra. Clarnell, pois isto poderia gerar novos episódios de violência. Mas ele voltou para a casa dela. E, segundo ele, ela continuou a humilhá-lo. Segundo os vizinhos, sempre discutiam.
Com outras pessoas, Kemper era polido. Quis entrar para a Academia de Polícia, mas era grande demais para isto. Contudo, ficou amigo dos policiais, que o chamavam de “Big Ed”. Teve uma série de pequenos empregos e saiu de casa, indo para uma cidade próxima. Voltava às vezes à casa da mãe, quando o dinheiro acabava. Logo comprou um carro. E então começou a passear e observar as garotas e a imaginar coisas... Coisas diferentes das que os garotos geralmente imaginam.
Para fazer o que tinha em mente, se preparou. Comprou facas, algemas. Observou umas 150 garotas, ele conta, até que um dia teve a urgência de fazer. Ele chamava estes impulsos de “little zapples”.

Garotas começam a desaparecer

Em maio de 72, duas garotas desapareceram. Em agosto, o crânio de uma foi encontrado, numa montanha. Em setembro, desapareceu a estudante de dança Aiko Koo.
No início de 73, desapareceu outra garota. Seu corpo foi achado por partes. Braços e pernas em um local. O tórax, tempos depois, em outro – a identificação foi feita através de uma radiografia feita neste tronco encontrado. Encontrou-se também a parte inferior do torso. Um surfista achou uma mão.
No começo de fevereiro, mais duas garotas sumiram. No dia 13, Herbert Mullin, úm dos psicóticos citado anteriormente, foi preso, após atirar em um homem que cuidava de um jardim. Em janeiro, duas famílias inteiras haviam sido mortas, assim como quatro pessoas que acampavam juntas. Talvez agora o pânico decrescesse, com a prisão de Mullin.
Em março foram encontrados os ossos das garotas que sumiram em fevereiro. Foram mortas com tiros na cabeça.

"Eu matei minha mãe"

Em abril, a polícia recebeu um telefonema. Era o “Big Ed”, que estava então com 24 anos. O que ele disse pareceu-lhes, a princípio, uma brincadeira.
Ele disse ter matado a própria mãe. E listou os outros assassinatos que já havia cometido. Não deram bola a ele, e Ed teve que ligar mais duas vezes até que alguém começasse a acreditar na história.
Ele não havia matado a mãe aquele dia, mas quatro dias antes.
Após o assassinato, bebeu com os tiras e depois chamou uma amiga de sua mãe para jantar e assistirem a um filme. Matou-a também, e arrancou sua cabeça, assim como havia feito com a mãe. Da amiga, também cortou fora a língua. Os corpos foram deixados no closet do apartamento da sua mãe.
Kemper conta que, depois disto, alugou um carro e ficou dirigindo, sentindo-se “meio louco”. Tinha, consigo, três armas e muita munição, e isto o assustava.
Ele estava agora em outro Estado, e os detetives viajaram para ir buscá-lo. Eles agora entendiam a dificuldade que tiveram para achar o assassino daquelas garotas: ele estava “infiltrado”, com sua amizade, na corporação, e sabia dos planos deles para capturarem o criminoso.
Quando chegaram onde Ed Kemper estava, ele estava calmo, aguardando-os. Então ele começou a falar sem parar, sobre as seis garotas que tinha matado, além da mãe e da amiga desta.

Justificativas

Kemper cedeu várias entrevistas, daí em diante, seja para detetives, médicos ou psicólogos. Sempre falou dos mau-tratos que recebia, mas nem sempre a história era contada exatamente da mesma maneira.
Sobre os primeiros assassinatos das meninas, disse que queria era estuprá-las, mas ponderou que, matando, não haveriam testemunhas vivas.
Escolhia garotas que iam caminhando para a faculdade. Oferecia carona. Tinha um adesivo da faculdade no carro – sua mãe trabalhava lá – e isto facilitava as coisas.
Contou sobre as duas primeiras que coletou assim, uma voluntariamente e outra à força. Cortou a garganta de uma e logo depois matou a outra também. Colocou os corpos no porta-malas. Foi parado, na estrada, por causa de um farol quebrado, mas de nada desconfiaram.
Dirigiu-se para sua casa. Levou os corpos para o seu quarto. Fotografou-os. Foi cortando e fotografando. Às vezes parava e regozijava. Fez sexo com partes destes corpos. Depois, colocou as partes em seu carro novamente. Desovou tudo, tomando nota do lugar para depois voltar lá. Ainda fez sexo com a cabeça de uma, antes de abandoná-la.
Kemper justificou estes crimes assim: “Minha frustração. Minha inabilidade para comunicar-me socialmente, sexualmente. Eu não era impotente. Eu morria de medo de entrar em relações homem-mulher.”
A terceira garota, Aiko, primeiramente foi levada a perder a consciência, depois estuprada e, enfim, assassinada. Novamente, levou a vítima para casa e desmembrou.

Kemper 2 x 0 Psiquiatria

No dia seguinte, tinha que ir a um conselho psiquiátrico, como parte da sua condicional após a saída do hospital. Os dois psiquiatras consideraram-no ótimo. “Normal”, dissera um deles, e estavam felizes com o fato de o sistema o qual faziam parte conseguir recuperar um caso como o dele. Enquanto isto, no porta-malas do carro estava a cabeça de Aiko. Com o laudo psiquiátrico, Kemper ganhou oficialmente sua liberdade de volta.
E continuou a matar, repetindo o método. Mas agora já estava morando novamente com a mãe, e levava os corpos para a casa dela.

A mãe,
Finalmente chegara a vez de sua mãe. Em uma entrevista, falou com relativa frieza de todos os assassinatos, mas, quando foi falar deste, finalmente chorou. Ele justificou este crime de várias maneiras. Uma foi que não queria que ela soubesse que ele era o assassino das garotas.

Conta que a chamou para passear, ela disse que não queria. Esperou ela dormir, e entrou em seu quarto com um machado. “Foi tão difícil!” Cortou sua cabeça e a colocou sobre a lareira. Conversou com a cabeça.

O julgamento

Seu advogado foi o mesmo que defendeu Frazier e que estava agora no caso Mullin. Quis alegar insanidade para Kemper. Enquanto aguardava julgamento, Kemper tentou cortar os pulsos duas vezes.
O julgamento começou em 73. Três psiquiatras o avaliaram e consideraram-no “normal” - isto é, sabia o que fazia. O diagnóstico dado na adolescência também foi revisto.
Durante estas entrevistas, Kemper falou também sobre canibalismo – cozinhar e comer partes das vítimas. Depois negou isto e disse que falou para tentar a via da insanidade.
Durou quase três semanas o julgamento. Culpado, por oito mortes. O juiz perguntou-lhe que pena achava que merecia: "Ser torturado até a morte!", ele respondeu. Por acaso, o julgamento foi em um período de suspensão da pena de morte naquele Estado – todas viravam, automaticamente, prisão perpétua.
Uma vez preso, chegou a solicitar que lhe fizessem psicocirurgia. O que foi negado, por temerem que, depois disso, pedisse uma revisão da pena alegando estar curado.

Preso exemplar

Isto é incompreensível, por uma série de motivos: é americano, matou a mãe, talvez praticou canibalismo, está vivo e consegue falar de uma forma muito bem articulada. Talvez porque não tenha a arrogância desafiadora de um Ted Bundy ou um Charles Manson? Ou porque não foi ainda matéria de um bom filme? Esta segunda hipótese pode ser a mais provável...

Kemper parece um caso típico de transtorno de personalidade anti-social. O diagnóstico recebido na adolescência, de psicótico, parece exagerado, não fundamentado. Mas um anti-social sim, como os “de livro”. Os sintomas surgem claramente antes dos 18 anos – não há indício maior que o assassinato dos avós.
A história que ele conta, de desprezo por parte da mãe, como gênese da coisa, tem uma grande penetrabilidade em nossas mentes, facilmente nos deixamos levar por ela, possivelmente porque lembra-nos imediatamente tudo o que já ouvimos falar sobre as relações literalmente “umbilicais” entre mãe e filho, complexo de Édipo etc.
Esta história nos seduz por sua obviedade, e é também esta obviedade que quase não nos deixa enxergar como esta explicação é tão fraca. Nossa cabeça funciona em busca de motivos psicológicos, e a história de problemas com a mãe como gênese de problemas já está tão fundamentada em nosso (sub/in)consciente, que talvez mesmo se ele tivesse dito que a mãe sempre lhe tratava bem, mas um dia ela lhe deu um tapa sem motivo, talvez ainda assim acharíamos a explicação plausível.
Mas é justamente frente a estas obviedades psicológicas que devemos tentar manter a lucidez. A pergunta sempre deve ser feita: quantas mães não rejeitam seus filhos? E qual a mínima porcentagem destes chega ao ponto de, por causa disto, virar um serial killer?
Acordemos para os fatos. A mãe de Kemper o trancava no porão. Sua separação o privou de seu pai. Sim, tudo isto, mas: e daí?! Onde estão os exageros da história? Kemper foi violentado quando criança? Não! A mãe o espancava? Não, nada disso é relatado!
E mais: se a mãe o trancava no porão, e ele ficou doente depois disso, perguntamos: mas por que ela o trancava lá? Porque tinha medo de que aquela estranha criança pudesse fazer algo com suas irmãs. Aquela criança que cortava a cabeça das bonecas.
A mãe de Kemper não tem culpa quase nenhuma nesta história. A avó paterna também não. O avô materno também não.
Infelizmente, toda uma série de teorias é construída em casos assim. Inclusive pelo próprio criminoso.
E quase todo mundo parece crer nelas sem questionar seus fundamentos.
Mas, simplesmente, não tem lógica a ligação entre seu “sofrimento” na infância e o ponto aonde chegou – matar os avós, depois várias garotas, e por fim a mãe. Teorias dizem que, matando as garotas, simbolicamente matava a mãe. E, quando matou a mãe, deixou de simbolizar, não precisava mais matar ninguém, e por isso se entregou.
É uma bela história. E, realmente, faz sentido. O que não faz é a história da causa do transtorno. Mas esta outra, das conseqüências, até que faz. O que não faz sentido é o ódio mortal que sentia da mãe, antes dos crimes. Este ódio não foi causado pelas atitudes dela. Simplesmente nasceu nele, porque ele praticamente nasceu com um problema, uma doença. As razões para isto, as justificativas para o ódio, sua mente teve que construir. Teve que reforçar os motivos visíveis, reais.
Poderia ter reforçado de outra maneira, em cima do pai. E ter saído matando e violentando homens. Se o pai tivesse tratado-o tão mal, quando criança. Mas foi a mãe, que não tinha como perceber as conseqüências de seus atos sobre uma criança que já era doente.
Kemper comporta-se bem na prisão, ajuda cegos a “ler”. Mas, em uma audiênca de condicional, admitiu não estar pronto para voltar à sociedade.

ANÁLISE DO CASO

Estranhamente, Ed Kemper não é um serial killer muito “badalado”.
Agosto de 64. Kemper atirava em pássaros. Sua avó paterna pediu para ele parar. Ele a atendeu: virou-se para ela e a acertou na cabeça. Deu ainda mais dois tiros. Iria arrastar o corpo, ação facilitada por ser bem alto e forte, quando escutou o barulho do carro do avô (chamado Edmund também), que chegava. Não restou-lhe outra opção: acertou-o também.

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