quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Ed Kemper - "Eu só me perguntava como seria atirar na vovó"



Ed Kemper


Ator que interpreta Ed na série e Ed Kemper



Famoso no momento pelo seriado "Mind Hunter" que relata como foi criado o termo "Serial Killer" e a psicologia forense. 


A infância de Ed Kemper:



Kemper nasceu em Burbank, Califórnia, em 18 de dezembro de 1948, ainda pequeno Edmund Emil Kemper III torturava e matava animais. 




Era o 2o filho de 3 – uma irmã mais velha e uma mais nova.
Quando seus pais se separaram, tinha 9 anos. Ele era apegado ao pai e parece ter sofrido muito com o rompimento. Sua mãe, depois disso, se tornou uma mulher muito perturbada e o maltratava muito, segundo ele. Deixava-o sempre trancado no porão.
Ainda criança, Kemper já pensava em matar seus parentes, imaginava-se mutilando-os. Na prática, fazia isto com gatos.
Ele fugiu de casa para morar um período com o pai. Mas o pai tinha se casado novamente, teve outro filho e não lhe recebeu muito bem.
Pouco depois, o devolveu à mãe, mas esta queria casar-se novamente e Kemper atrapalharia. Resolveram mandá-lo para o rancho dos seus avós paternos. Mas estes também não lhe trataram tão bem quanto ele gostaria.



Avós de Ed Kemper 



Sua primeira vítima morreu em 27 de agosto de 1964 quando ele visitou a avó, Maude, 66 anos, em seu rancho de sete hectares em NorthFork e atirou quando ela estava sentada à mesa da cozinha após uma discussão com avó que pediu para que ele parasse de atirar em pássaros. Ele também a esfaqueou após atirar em sua cabeça. Quando seu avô Edmund, 1,72m de altura voltou para casa, Kemper também o matou antes que ele entrasse na casa. Mais tarde ele disse a polícia que seu avô tinha problemas mentais.
O rifle que ele usou para cometer os assassinatos havia sido dado a ele de presente justamente por este avô, no Natal anterior.
Kemper levou os corpos para a garagem. Sem saber que fazer; ligou para a mãe e falou o que havia acontecido. Ela o aconelhou a chamar a policia. Ela já havia dito ao pai de Kemper que não se surpreenderia se um dia ele fizesse isso.
Kemper chamou mesmo a policia. Segundo os policiais, ele estava os esperando calmamente. E disse a eles a seguinte frase: "Eu só me perguntava como seria atirar na vovó".
E disse que só atirou no avô para evitar que ele visse o que tinha acontecido.


Kemper 1 x 0 Psiquiatria



Aos 15 anos de idade, Kemper foi submetido à avaliação psiquiátrica.
Duas observações importantes advieram daí: um diagnóstico de esquizofrenia paranóide e a conclusão de que tinha um QI quase de gênio. Ficou internado no “Atascadero State Hospital for the Criminally Insane” (o mesmo pelo qual passou - em 62 como colaborador, e em 74-75 como interno, o famoso Arthur Leigh Allen, suspeito número um de ser o "Assassino do Zodíaco").
O psiquiatra que acompanhou Kemper mais de perto foi Donald Lunge. Conta-se que lá Kemper memorizou as respostas corretas de inúmeros testes psicológicos, conseguindo, assim, sua libertação, aos 21 anos.
Saiu com recomendações de não voltar ao convívio da mãe, a sra. Clarnell, pois isto poderia gerar novos episódios de violência. Mas ele voltou para a casa dela. E, segundo ele, ela continuou a humilhá-lo. Segundo os vizinhos, sempre discutiam.
Com outras pessoas, Kemper era polido. Quis entrar para a Academia de Polícia, mas era "grande (alto) demais" para isto. Contudo, ficou amigo dos policiais, que o chamavam de “Big Ed”. Teve uma série de pequenos empregos e saiu de casa, indo para uma cidade próxima. Voltava às vezes à casa da mãe, quando o dinheiro acabava. Logo comprou um carro. E então começou a passear e observar as garotas e a imaginar coisas... Coisas diferentes das que os garotos geralmente imaginam.
Para fazer o que tinha em mente, se preparou. Comprou facas e algemas. Observou umas 150 garotas, ele conta, até que um dia teve a urgência de fazer o que planejara. Ele chamava estes impulsos de “little zapples”. (se algum leitor souber o significado disso, favor deixar nos comentários, porque não encontrei em lugar nenhum, obrigada)





Garotas começam a desaparecer:


Observação: Nos textos a seguir, relatarei as mortes das vítimas, em muitos sites e livros, ao relatar a necrofilia praticada por ele, não mencionam o fato de que a parte do corpo com a qual ele praticava a necrofilia era a boca das cabeças decapitadas, isso é uma das coisas mais chocantes sobre os crimes de Kemper, até mesmo com a cabeça da própria mãe ele praticou sexo "oral". Então ao dizer que ele praticou sexo com os cadáveres, nos textos a baixo, tenham em mente que era, na maioria das vezes, com as cabeças dos cadáveres e não somente com os órgãos sexuais como a maioria dos necrófilos.

Em maio de 72, duas garotas desapareceram. Em agosto, o crânio de uma foi encontrado, numa montanha. 


Mary Anne Pesce 18 anos de idade

Anita Luchessa 18 anos de idade



Elas estavam indo a pé para a Universidade de Stanford, a mais de uma hora de carro. Ed Kemper estacionou em uma estrada de terra ao lado delas e disse que estava voltando para seu apartamento e poderia deixá-las na Universidade no caminho, elas aceitaram a carona e eles as assassinou dentro do carro.
Sabendo que seu colega de apartamento estava fora, ele pegou os corpos, envoltos em cobertores, levou para seu quarto, onde os desmembrou, tirando fotografias do processo.
Ele decapitou os corpos de Mary Ann e Anita e manteve as cabeças por um tempo com ele, até resolver dispensá-las em um barranco. A cabeça de Mary Ann foi encontrada e identificada, mas nenhuma parte do corpo de Anita foi encontrada até hoje. 



Em setembro, desapareceu a estudante de dança Aiko Koo.


Aiko Koo - 15 anos de idade




Ele tampou sua boca até que ela perdesse a consciência. Então ele a tirou do carro e a estuprou. Depois a sufocou até a morte com um cachecol e colocou seu corpo no porta-malas. Parou algumas vezes para abrir seu porta-malas e contemplar a sua "conquista", mais tarde ele a colocou em sua cama e a dissecou como fez com suas vítimas anteriores. Muito pouco foi encontrado de Aiko.


No início de 73, outra garota desapareceu. Seu corpo foi achado por partes. Braços e pernas em um local, o tórax, tempos depois, em outro – a identificação foi feita através de uma radiografia feita no tronco encontrado. Encontrou-se também a parte inferior do torso. Um surfista achou uma de suas mãos.

Cindy Shall 19 anos de idade



Ed a levou para as colinas perto de Watsonville, onde a forçou a entrar no porta-malas e deu um tiro na cabeça dela com sua arma nova. ele moveu o corpo para o quarto que ele tinha alugado em um apartamento duplex naquela época.
Ed teve relação sexual com o cadáver na manha seguinte. Mais uma vez, ele dissecou e retirou todas as evidências do corpo, a bala que estava no crânio da vítima el enterrou no quintal da casa da mãe dele.



No começo de fevereiro, mais duas garotas sumiram. 


Rosalind Thorpe 23 anos de idade

Alice Liu 21 anos de idade



No dia 13, Herbert Mullin, citado anteriormente aqui no blog http://pasdemasque.blogspot.com.br/2010/01/herbert-mullin.html, foi preso, após atirar em um homem que cuidava de um jardim. Em janeiro, duas famílias inteiras haviam sido mortas, assim como quatro pessoas que acampavam juntas. Talvez, agora, o pânico na cidade decrescesse com a prisão de Mullin.
Em março foram encontrados os ossos das garotas que sumiram em fevereiro. Elas também foram mortas com tiros na cabeça.




"Eu matei minha mãe"


Clarnell Strandberg (mãe) 50 anos de idade.


Em abril, a polícia recebeu um telefonema. Era o “Big Ed”, que estava então com 24 anos. O que ele disse pareceu-lhes, a princípio, uma brincadeira.
Ele disse ter matado a própria mãe. E listou os outros assassinatos que já havia cometido. Não deram bola a ele, e Ed teve que ligar mais duas vezes até que alguém começasse a acreditar na história.
Ele não havia matado a mãe aquele dia, mas quatro dias antes.
Após o assassinato, bebeu com os tiras e depois chamou uma amiga de sua mãe para jantar e assistirem a um filme. Matou-a também, e arrancou sua cabeça, assim como havia feito com a mãe. Da amiga, também cortou fora a língua. Os corpos foram deixados no closet do apartamento da sua mãe.
Kemper conta que, depois disto, alugou um carro e ficou dirigindo, sentindo-se “meio louco”. Tinha, consigo, três armas e muita munição, e isto o assustava.
Ele estava agora em outro Estado, e os detetives viajaram para ir buscá-lo. Eles agora entendiam a dificuldade que tiveram para achar o assassino daquelas garotas: ele estava “infiltrado”, com sua amizade, na corporação, e sabia dos planos deles para capturarem o criminoso.
Quando chegaram onde Ed Kemper estava, ele estava calmo, aguardando-os. Então ele começou a falar sem parar, sobre as seis garotas que tinha matado, além da mãe e da amiga dela.






Justificativas

Kemper cedeu várias entrevistas, daí em diante, seja para detetives, médicos ou psicólogos. O que é relatado de maneira excelente e fiel na série da Netflix, Mind Hunter. Sempre falou dos mau-tratos que recebia, mas nem sempre a história era contada exatamente da mesma maneira.
Sobre os primeiros assassinatos das meninas, disse que queria estuprá-las, mas ponderou que, matando, não haveriam testemunhas vivas.
Escolhia garotas que iam caminhando para a faculdade. Oferecia carona. Tinha um adesivo da faculdade no carro – sua mãe trabalhava lá – e isto facilitava as coisas.
Contou sobre as duas primeiras vezes que capturou vítimas desta maneira, uma voluntariamente e outra à força. Cortou a garganta de uma e logo depois matou a outra também. Colocou os corpos no porta-malas. Foi parado, na estrada, por causa de um farol quebrado, mas de nada desconfiaram.
Dirigiu-se para sua casa. Levou os corpos para o seu quarto. Fotografou-os enquanto os esquartejava.  Às vezes, parava e regozijava seu feito. Fez sexo com partes destes corpos. Depois, colocou as partes em seu carro novamente. Desovou tudo, tomando nota do lugar para depois voltar lá quando sentisse vontade de rever o que havia feito.
Kemper disse a seguinte frase para tentar justificar os crimes: “Minha frustração. Minha inabilidade para comunicar-me socialmente, sexualmente. Eu não era impotente. Eu morria de medo de entrar em relações homem-mulher.”
A terceira garota, Aiko, primeiramente foi levada a perder a consciência, depois estuprada e, enfim, assassinada. Novamente, levou a vítima para casa e desmembrou o corpo.

Kemper 2 x 0 Psiquiatria




No dia seguinte, tinha que ir a um conselho psiquiátrico, como parte da sua condicional após a saída do hospital. Os dois psiquiatras consideraram-no ótimo. “Normal”, dissera um deles, e estavam felizes com o fato de o sistema, o qual faziam parte, "conseguir recuperar" um caso como o dele. Enquanto isto, no porta-malas do carro estava a cabeça de Aiko. Com o laudo psiquiátrico, Kemper ganhou oficialmente sua liberdade de volta.
E continuou a matar, repetindo o método. Mas agora já estava morando novamente com a mãe, e levava os corpos para a casa dela.


A mãe:
"Finalmente chegara a vez de sua mãe". Em uma entrevista, falou com relativa frieza de todos os assassinatos, mas, quando foi falar deste, finalmente chorou. (vide video que postei no final da postagem comparando o ator de mind hunter com o verdadeiro em entrevista) Ele justificou este crime de várias maneiras. Uma foi que não queria que ela soubesse que ele era o assassino das garotas.




Conta que a chamou para passear, ela disse que não queria. Esperou ela dormir, e entrou em seu quarto com um machado. “Foi tão difícil!” disse ele. Cortou sua cabeça e a colocou sobre a lareira. Conversou com a cabeça antes de praticar sexo com ela.

O julgamento:

Seu advogado foi o mesmo que defendeu Frazier http://pasdemasque.blogspot.com.br/2010/01/john-linley-frazier-killer-prophet.html e que estava agora no caso Mullin. Quis alegar insanidade para Kemper. Enquanto aguardava julgamento, Kemper tentou cortar os pulsos duas vezes.
O julgamento começou em 73. Três psiquiatras o avaliaram e consideraram-no “normal” - isto é, sabia o que estava fazendo no momento dos crimes. O diagnóstico dado na adolescência também foi revisto.
Durante estas entrevistas, Kemper falou também sobre canibalismo – cozinhar e comer partes das vítimas. Depois negou isto e disse que falou para tentar a via da insanidade.
O julgamento durou quase três semanas. Foi considerado culpado, por oito mortes. O juiz perguntou-lhe que pena achava que merecia: "Ser torturado até a morte!", ele respondeu. Por acaso, o julgamento foi em um período de suspensão da pena de morte naquele Estado – todas se tornaram, automaticamente, prisão perpétua.
Uma vez preso, chegou a solicitar que lhe fizessem psicocirurgia. O que foi negado, por temerem que, depois disso, pedisse uma revisão da pena alegando estar curado.




Preso exemplar:

Isto é incompreensível, por uma série de motivos: é americano, matou a mãe, talvez praticou canibalismo, está vivo e consegue falar de uma forma muito bem articulada. Talvez porque não tenha a arrogância desafiadora de um Ted Bundy ou um Charles Manson. Ou seria porque não foi ainda matéria de um bom filme? Esta segunda hipótese pode ser a mais provável...




Kemper parece um caso típico de transtorno de personalidade anti-social. O diagnóstico recebido na adolescência, de psicótico, parece exagerado, não fundamentado. Mas um anti-social sim. Os sintomas surgem claramente antes dos 18 anos – não há indício maior que o assassinato dos avós.
A história que ele conta, de desprezo por parte da mãe, como gênese da coisa, tem uma grande penetrabilidade em nossas mentes, facilmente nos deixamos levar por ela, possivelmente porque lembra-nos imediatamente tudo o que já ouvimos falar sobre as relações literalmente “umbilicais” entre mãe e filho, complexo de Édipo etc.

Numa conversa recente com uns amigos, surgiu a seguinte questão, por conta do seriado:  Será que o fato da mãe chegar ao ponto de o trancar no porão, não seria porque que ela havia percebido que ele matava animais e praticava atos sexuais com bonecas, arrancava as cabeças das bonecas e temia que ele fizesse algum mal para as irmãs dele?
Bem, ela era alcoólatra e muito violenta, o menosprezava e humilhava constantemente, mas há relatos de que ela temia sim que ele estuprasse as irmãs. 
Certa vez ele comentou com uma das irmãs que estava apaixonado pela professora e que queria fazer sexo com ela "quando ela estivesse morta".
Já as humilhações, creio que colaboraram para o despertar do ódio contra ela.
O bulling escolar provavelmente também ajudou com o seu comportamento anti-social.

Uma curiosidade: Depois de matar a mãe, Kemper cortou suas cordas vocais e tentou livrar-se delas jogando-as na unidade de tratamento de resíduos, mas elas não desciam. Ele disse sobre isso: "Pareceu adequado, já que ela havia me atormentado, berrado e gritado comigo por tantos anos".

Kemper comporta-se bem na prisão, ajuda cegos a “ler”. Mas, em uma audiência de condicional, admitiu não estar pronto para voltar à sociedade. 



Agora vamos falar de Mind Hunter. 
Seriado mais interessante sobre o assunto atualmente. 
Se você ainda não viu, veja! É magnífico, e muito real. Mostra vários serial killers dando entrevistas aos agentes do FBI que criaram o termo Serial Killer e que traçaram perfis de serial killers, estudaram a mente deles e assim nasceu a psicologia forense. Vale muito a pena, colocarei alguns videos sobre Kemper e alguns sobre o seriado. Espero que tenham gostado da atualização desta postagem.

Trailer da serie.



Infelizmente os videos a seguir estão sem legenda, mas este primeiro, mesmo que você não fale inglês, vale a pena ver para ter uma noção do quão incrível é a atuação do ator de Mind Hunter.


Esta comparação do ator com o verdadeiro chega a arrepiar. 



Entrevista de 1981


Entrevista de 1991



Documentário - The most intelligent Serial Killer Crime Documentary




fontes de pesquisa  http://oserialkiller.blogspot.com/2008/07/serial-killer-ed-kemper-historia.html, livro 501 crimes mais notórios.
murderpedia.
mais fotos aqui: http://murderpedia.org/male.K/k/kemper-edmund-photos.htm

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