quarta-feira, 27 de março de 2013

Derek Bentley e Christopher Craig

                               Derek William Bentley (30 de junho de 1933 - 28 de janeiro de 1953)

Christopher Craig (Tinha 16 anos na época do crime)

"Acerte-o, Chris!"

Saúde e desenvolvimento mental

Derek Bentley teve uma série de problemas de saúde e de desenvolvimento. Durante a Segunda Guerra Mundial, a casa em que viveu foi bombardeada e caiu em torno dele, Bentley teve ferimentos graves na cabeça e concussão.
Em dezembro de 1948, a idade mental da Bentley foi estimada em 10 anos, sua idade real era de 15 anos. Bentley marcou 66 em um teste de QI em dezembro de 1948 e 77 em 1952. Outros testes foram feitos e Bentley foi descrito como tendo "borderline, desordem mental", com uma pontuação de 71 verbal e um QI de escala de 77.
Em dezembro de 1948, Bentley tinham uma idade de leitura de 4 anos. Ele ainda estava "completamente analfabeto" no momento de sua prisão em novembro de 1952.
Bentley também era epilético.
Em fevereiro de 1952, Bentley foi submetido a um exame médico para o serviço nacional, onde ele foi julgado "mentalmente inferior" e inapto para o serviço militar.

O Crime:

Às 21:15 do domingo, 2 de novembro de 1952, Derek Bantley e Christopher Craig, um delinquente juvenil, invadiram o depósito de atadista de doces Barlow & Parker's em Croydon, Surrey, Inglaterra. Bentley tinha uma faca e Craig, cujo irmão mais velho cumpria pena de doze anos por assalto à mão armada, um revólver. 
Uma menina de nove anos de idade, em uma casa do outro lado da estrada avistou tanto Craig quanto Bentley escalando o portão e um cano de esgoto até o telhado do armazém. Ela alertou a mãe, que chamou a polícia.

Quando os policiais chegaram, os jovens ficaram presos no telhado. O detetive Frederick Fairfax subiu e prendeu Bentley. A polícia afirma que Bentley, já dominado, teria gritado, "Acerte-o, Chris!", (fato que Craig negou e continuou negando 40 anos após o crime) e Craig atirou, ferindo Fairfax e atingindo o soldado Sydney George Miles, de 42 anos, na cabeça.

Resultado:

Em um julgamento que durou dois dias e meio (de 9 a 11 de dezembro de 1952) em Old Bailey, diante do juiz Goddard, o estado mental de Bentley não foi revelado. Ele foi sentenciado à morte depois de o júri ter passado 75 minutos deliberando. O júri recomentou misericórdia para Bentley, e Craig (que na época era menor de idade) foi condenado à detenção pelo tempo que determinasse Sua Majestade. Ele passaria dez anos e meio preso (foi libertado em maio de 1963 e se casou dois anos mais tarde). O secretário de Estado Sir David Maxwell Fyfe recusou-se a recomendar que a rainha exercesse sua prerrogativa de conceder misericórdia. Bentley foi executado na prisão Wandsworth às 9:00 horas de quarta-feira, 28 de janeiro de 1953, enquanto uma plateia furiosa esperava do lado de fora. Sua irmã mais velha, Iris, começou uma campanha para limpar o nome do irmão. Em 1966 o cadáver de Bentley foi desenterrado na prisão e transferido para o Cemitério Croydon numa sexta-feira, 4 de março. Inicialmente a lápide não foi permitida, mas o governo mudou de ideia em julho de 1994, e a lápide tem a inscrição "Uma vítima da Justiça Britânica". Em 29 de julho de 1993 o secretário Michael Howard concedeu perdão parcial, admitindo assim que havia sido um erro executar Bentley, mas manteve o veredito de culpa. 

Cinco anos mais tarde, e um ano depois da morte de Íris, a condenação de Derek Bentley foi removida em 30 de julho de 1998. Existe agora uma discussão sobre se alguma coisa foi mesmo dita a Craig, muito menos as palavras beligerantes que sentenciaram Bentley à morte. A fábrica Barlow & Parker's foi demolida em 1977 e substituída por casas.






                

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